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Têm -me lançado um desafio de análise do impacto que poderia ter um hipermercado com centro comercial pelas nossas terras, ao qual tenho respondido com cautela, pois vejo nesse tipo de infra-estrutura, uma boa oportunidade de negócio mas também algumas ameaças, nomeadamente ao comércio local e aos produtores, se não houver um planeamento de estratégias para se adaptarem aos novos desafios.
Uma das formas das atitudes a criar por parte do comercio local é o desenvolvimento próprio. Outra é tentar perceber em que perdem e no que ganham comparando com os shoppings.
Evoluam e comecem a agir por antecipação, e comecem já por mudar o nome utilizado, a marca “comercio tradicional” está a meu ver mais que gasta e cheira a mofo , o nome shopping continua a ter uma sonância mais marcante no ouvido do consumidor, nos shoppings o marketing joga com sensações, criando uma plasticidade e artificialidade que levam a que o consumidor associe a eles um sentimento de alegria juntamente ao acto de compra. Como vêem os shoppings trabalham com ferramentas que o “comércio tradicional” da forma como está organizado não consegue suportar. Uma das ferramentas é o marketing, e é das mais ferozes, a escala o conforto, a flexibilidade de horários e dos contractos do seu pessoal é outro. Outra das questões que joga a favor dos shoppings é o facto de estes estudarem á minúcia as fragilidades do comercio tradicional e utiliza-las em seu favor. Não vejo um sentimento recíproco por parte do comércio tradicional. Por isso lanço o apelo ao comercio tradicional, principalmente ao das Terras de Basto, para que comecem a estudar minuciosamente também as fragilidades dos shoppings, e tentem perceber se é possível competir com eles. Primeiro flexibilem mais os horários e depois aliem-se conjuntamente em associações de comércio em que se determine estratégias globais para cada área, para cada ramo do comércio etc. Aliem-se e cooperem conjuntamente. Pensem em estratégias de futuro, pensem no comercio online, em que depois as entregas poderiam ser feitas pelo mesmo veiculo, comprado em conjunto, que uma hora pertencia á loja A, depois a loja B e assim consecutivamente. Lembrem-se também que enquanto o shopings tem a artificialidade vocês tem a história e a memória das ruas, que eles de certo modo tentam reproduzir mas sempre em vão. O comércio tradicional não precisa de uma mega estrutura para funcionar por isso podem-se fixar no melhor centro histórico ou na proximidade de qualquer núcleo habitacional. Mas é preciso beber um bocadinho dos ensinamentos dos grandes shoppings. E a melhor forma de os combater é agir na mesma lógica deles, pois estes estão sempre bem informados quanto aos mercados e apostam no saber como forma de afirmação. Adaptem as vossas lojas de forma a desenhar um esquema de um shopping a céu aberto organizado em rede. Isto é possível com a elaboração de uma carta comercial, por parte da associação em parceria com a autarquia, em que se determine o tipo de utilização de cada loja e o local onde esta vai funcionar, determinando-se também meios de interacção entre o todo e cada parte. E ao mesmo tempo se estude formas de atracção de lojas âncora para todo o comércio. Lojas ancora são lojas que tem a capacidade de sozinhas conseguirem atrair a km de distancia um grupo de clientes, (Zara p. exemplo), e assim as outras lojas poderiam aproveitarem-se do protagonismo dessas lojas para melhorar o seu negocio.
Outro tipo de comportamento a ter com as grandes superfícies, é o de cooperação, principalmente por parte das pequenas e médias empresas da região, para que não percam por todas as partes, pois á partida ao fixarem nas nossas regiões as grandes superfícies, vão trazer uma serie de produtos de fora que podem tirar o mercado aos produzidos na terra, tenham imaginação para inverter esta tendência, e adaptem-se sobretudo ás novas exigências dos mercados.
Vamos gente de basto comecem a trabalhar, para se um dia um eventual shopping chegar por estas bandas, estejam minimamente preparados...
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