segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Carta para o comércio local

. Têm -me lançado um desafio de análise do impacto que poderia ter um hipermercado com centro comercial pelas nossas terras, ao qual tenho respondido com cautela, pois vejo nesse tipo de infra-estrutura, uma boa oportunidade de negócio mas também algumas ameaças, nomeadamente ao comércio local e aos produtores, se não houver um planeamento de estratégias para se adaptarem aos novos desafios. Uma das formas das atitudes a criar por parte do comercio local é o desenvolvimento próprio. Outra é tentar perceber em que perdem e no que ganham comparando com os shoppings. Evoluam e comecem a agir por antecipação, e comecem já por mudar o nome utilizado, a marca “comercio tradicional” está a meu ver mais que gasta e cheira a mofo , o nome shopping continua a ter uma sonância mais marcante no ouvido do consumidor, nos shoppings o marketing joga com sensações, criando uma plasticidade e artificialidade que levam a que o consumidor associe a eles um sentimento de alegria juntamente ao acto de compra. Como vêem os shoppings trabalham com ferramentas que o “comércio tradicional” da forma como está organizado não consegue suportar. Uma das ferramentas é o marketing, e é das mais ferozes, a escala o conforto, a flexibilidade de horários e dos contractos do seu pessoal é outro. Outra das questões que joga a favor dos shoppings é o facto de estes estudarem á minúcia as fragilidades do comercio tradicional e utiliza-las em seu favor. Não vejo um sentimento recíproco por parte do comércio tradicional. Por isso lanço o apelo ao comercio tradicional, principalmente ao das Terras de Basto, para que comecem a estudar minuciosamente também as fragilidades dos shoppings, e tentem perceber se é possível competir com eles. Primeiro flexibilem mais os horários e depois aliem-se conjuntamente em associações de comércio em que se determine estratégias globais para cada área, para cada ramo do comércio etc. Aliem-se e cooperem conjuntamente. Pensem em estratégias de futuro, pensem no comercio online, em que depois as entregas poderiam ser feitas pelo mesmo veiculo, comprado em conjunto, que uma hora pertencia á loja A, depois a loja B e assim consecutivamente. Lembrem-se também que enquanto o shopings tem a artificialidade vocês tem a história e a memória das ruas, que eles de certo modo tentam reproduzir mas sempre em vão. O comércio tradicional não precisa de uma mega estrutura para funcionar por isso podem-se fixar no melhor centro histórico ou na proximidade de qualquer núcleo habitacional. Mas é preciso beber um bocadinho dos ensinamentos dos grandes shoppings. E a melhor forma de os combater é agir na mesma lógica deles, pois estes estão sempre bem informados quanto aos mercados e apostam no saber como forma de afirmação. Adaptem as vossas lojas de forma a desenhar um esquema de um shopping a céu aberto organizado em rede. Isto é possível com a elaboração de uma carta comercial, por parte da associação em parceria com a autarquia, em que se determine o tipo de utilização de cada loja e o local onde esta vai funcionar, determinando-se também meios de interacção entre o todo e cada parte. E ao mesmo tempo se estude formas de atracção de lojas âncora para todo o comércio. Lojas ancora são lojas que tem a capacidade de sozinhas conseguirem atrair a km de distancia um grupo de clientes, (Zara p. exemplo), e assim as outras lojas poderiam aproveitarem-se do protagonismo dessas lojas para melhorar o seu negocio. Outro tipo de comportamento a ter com as grandes superfícies, é o de cooperação, principalmente por parte das pequenas e médias empresas da região, para que não percam por todas as partes, pois á partida ao fixarem nas nossas regiões as grandes superfícies, vão trazer uma serie de produtos de fora que podem tirar o mercado aos produzidos na terra, tenham imaginação para inverter esta tendência, e adaptem-se sobretudo ás novas exigências dos mercados.

Vamos gente de basto comecem a trabalhar, para se um dia um eventual shopping chegar por estas bandas, estejam minimamente preparados...

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13 comentários:

Vítor Pimenta disse...

A questão que lanças é pertinente mas ao mesmo tempo com 2 bicos. Por um lado um shopping cria emprego e com uma grande superfície anexada oferece uma alternativa a Fafe e a Guimarães, cidades para as quais se encaminham muitos dos rendimentos de habitantes da região de basto. Era dinheiro que ficava aqui. Por outro obriga o comércio tradicional a repensar a oferta. E aqui está a questão fundamental uma vez que essa necessidade já se observa. Creio que a Associação Comercial pouco têm feito pelos interesses dos comerciantes nos aos Concelhos de Celorico e Cabeceiras, ao contrário de Fafe.

Carvalho Leite disse...

Viva Vítor
Pois, há muitas questões que giram em volta desta, mas o trabalho da associação de comercio de Celorico Fafe e Cabeceiras não tem sido muito notório pelas nossas bandas tirando uma ou outra formação, e também já me disseram que interessa a muita gente que eles estejam com essa postura de inércia, espero é que não engatem já tarde, o trabalho já devia estar a ser feito numa suposta antecipação a um processo de abertura de um centro comercial que mais cedo ou mais tarde se iniciará, para o bem e para o mal, por isso para minimizar o impacto sobre o comercio local ou tradicional, já se deveriam estar a pensar em estratégias. A autarquia se elaborasse uma carta comercial ajudaria em muito todo o comércio.
Abraço

Vítor Pimenta disse...

[miguel, mandei-te um mail, quando puderes responde-me]

Anónimo disse...

Finalmente "fala-se" numa grande superfície comercial, é que a mim faz-me impressão ver as pessoas de Cabeceiras a fazerem as suas compras em Fafe, Guimarães e até Braga.
Penso que o comércio local já não está a ganhar nada com isso, aquelas compras que se fazem lá, penso que vão continuar, na minha opinião, já o que se diz compras do mês........

Carvalho Leite disse...

Boas caro anónimo, (se bem que gosto de tratar as pessoas pelo nome.)
A grande superfície vai abrir mais cedo ou mais tarde, é uma questão de tempo, tempo que eu penso ser precioso para o comercio local se adaptar. E permita-me discordar consigo em parte porque se o centro comercial abrir, vai tentar colocar-se num ponto estratégico que saiba que as pessoas passam muito por ali no dia a dia, eles sabem que do passar ao entrar é um passo, eles trabalham com ferramentas que impingem o consumidor a consumir, e ao abrirem por aqui querem abraçar um numero máximo de clientes, e acredite que o comercio local se continuar como está, vai passar por dias maus. Repare num pormenor dos grandes centros comerciais, relativamente ao preço do pão, chega a ser metade do preço que é praticado nas nossas padarias, como em tempo de crise todos os cêntimos são preciosos as pessoas ao irem comprar lá o pão acabam por fazer ali todas as suas compras diárias. Por isso o comercio tradicional tem que se destacar também por outros motivos e não só pela proximidade.
O proteccionismo económico que sabemos existir, não passa por não deixar vir o centro comercial, porque as pessoas acabam por as fazer na mesma só que por outras terras, deixando lá o dinheiro ganho em terras de basto para empregar pessoas da terra em que estão, sendo que os impostos também não são pagos às nossas autarquias.
Com as estratégias que sugiro, que já estão a ser aplicadas com sucesso por toda a Europa, poderíamos ganhar em todas as partes, mas é preciso algum tempo para que o sistema se implemente, por isso é que insisto numa acção por antecipação.

Abel Alves disse...

Concordo em quase todos os pontos do post. Aliás, acredito que o pequeno e o grande comércio podem viver lado-a-lado quando o seu planeamento é bem feito. Acrescento ainda que a construir-se uma grande superfície comercial, esta nunca deverá ser implantada no núcleo urbano, mas sim num local relativamente distante com boas acessibilidades, quer vias-de-comunicação quer meios de transportes. Quanto ao comércio tradicional ou pequeno comércio, como lhe quiserem chamar, deverá apostar nos produtos da terra, os denominados "caseiros".

Carvalho Leite disse...

Caro Abel Alves.
o conceito de núcleo urbano encontra-se sempre em mudança e expansão, uma das condicionantes que impede a fixação do grande comércio, nos núcleos urbanos, é o preço dos terrenos praticados, e a normal inexistência de terrenos com a escala necessária, depois da construção do edifício ele funciona sempre como uma ancora á fixação de outros serviços, levando a que se urbanize a sua envolvente.
Quanto á questão da aposta exclusiva nos produtos da terra, não me parece que tenha que ser exclusivo, o comercio surge na ideia de vender as pessoas aquilo que elas não têm nem produzem em casa. O comércio do vestuário, o que iriam vender, acho que com a globalização, os produtos circulam por todos os lados, temos é que criar plataformas para vender os nossos, na nossa terra mas principalmente para fora.
Quando falo na oportunidade é principalmente para os produtores venderem aos hipermercados, para que eles levem para hipermercados de outras regiões .
obrigado por expressar o pensamento.

Abel Alves disse...

Caro Carvalho Leite o que diz tem muito de verdadeiro, mas a fixação e o desenvolvimento de zonas habitacionais e de serviços em redor de grandes superfícies comerciais deve-se a um mau planeamento urbanístico, que regra geral, é praticado pelas autarquias, mas isto são apenas pontos de vista. Quanto à outra questão, a dos produtos da terra, também não afirmei que o pequeno comércio devesse apostar exclusivamente neste produtos. Simplesmente penso que, se na oferta estes figurarem nas prateleiras funcionam como um chamariz para a população, que consequentemente levará à venda dos outros produtos "de marca" do mercado liberal, que estas superfícies comerciais também têm de vender. E aqui estava apenas a referir-me ao comércio de produtos e bens alimentares. Quanto ao comércio de roupa e outros que eventualmente pensou, já envolvem uma teia mais complexa. Relativamente à criação de plataformas para a venda dos nossos produtos locais fora do concelho, aí sim, penso que há muito trabalho por fazer, principalmente o de estruturar e modernizar as cadeias de produção e a divulgação do produto final. Ainda falta algum sentido empreendedor e empresarial na nossa cultura. Obrigado por partilhar a sua opinião comigo.

Carvalho Leite disse...

Eu é que agradeço caro Abel Alves, criei este espaço para partilhar opinião, sobretudo com pessoas interessadas como me parece ser o seu caso.
Quanto á questão do planeamento, é um problema complicado, em que há sempre pressões de muitas partes, mas num núcleo habitacional não me parece que aconteça. Até por questões de volumetrias a respeitar nos pdm´s. O que eu falo é que quando surge um edifício comercial atractivo, a envolvente passa a ter mais valor e acaba por se urbanizar á posteriori. Criando-se ali sempre um núcleo urbano.
Quanto a questão dos produtos locais, e resolvido algum mal entendido da minha parte, acho que deveria enveredar, por esse sentido, da modernização e revitalização , pois a classe que produz a maior fatia dos produtos locais, não está preparada para responder de forma sistemática aos pedidos das lojas, as cooperativas agrícolas da nossa região poderiam ter um papel mais determinante neste sentido e lembrarem-se que existe produção agrícola alem dos vinhos, e lançar plataformas de apoio a esta produção, de ver o caso da empresa Verde Basto. Acho a ideia interessante e com pernas para andar se for uma aposta séria e mais que politica.
O grande problema do comercio tradicional, tal como as regiões de Basto, e tal como os produtores, é que não estão unidos em objectivos, o exemplo vem de cima. Quando o vento sopra para um lado, seguem , sopra do outro voltam, e não saímos do mesmo sítio.
“Quanto se navega sem destino nenhum vento é favorável.” Acredito mesmo, que enquanto não se traçar um rumo para as regiões de Basto todos os problemas discutidos não se resolverão nem haverá grande evolução das nossa terra.
Volte sempre com a mesma atitude. Obrigado

victor disse...

Boas!pessoal,onde para o comercio local de fafe cabeceiras etc?sera que ésa instituiçao so actua em cabeceiras?fafe esta a evoluir claro esta por culpa de nos que queremos preservar aquilo que os outros nao querem.o pequeno comercio sobrevive sempre,pequenas compras sao sempre feitas no local.agora compras do mes,o que eu tenho visto é uma deslocaçao em massa a fafe..e eles aproveitao a onda e nos damos para la os empregos etc etc.e nos ficamos sempre no mesmo.cabeceiras tem que se decidir entre um vila urbana ou o ruralismo.tudo que for investiment é bem vindo e bem necessitamos de quem aposte na nossa terra.o futuro passa por ai a imagem de todos os outros concelhos vizinhos.é de salientar que os hipermercados de fafe so sao sustentaveis derivado ao afluxo de pessoas de cabeceiras,celorico etc.haja iniciativas para que se realize uma grande necessidade do povo de cabeceiras ,bem com de quem nos visita!!

Anónimo disse...

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