segunda-feira, 16 de março de 2009

O debate - Consequências do desemprego nas Terras de Basto

No sábado decorreu no Arco de Baulhe, uma conferencia promovida pela adBasto , em que se discutiu, com a presença do professor Manuel Monteiro, as consequências do desemprego nas Terras de basto e as perspectivas futuras.
Um debate que valeu principalmente pela vontade de se falar e discutir este problema pertinente que tanto afecta as nossas populações. E segundo os oradores o problema reside numa crise estrutural que nasceu com este ciclo de globalização, e por uma aposta errada por parte de Portugal nas suas prioridades de desenvolvimento.
Também na minha opinião, Portugal não se posicionou de forma correcta, ao não investir da melhor forma na formação de recursos humanos, á imagem daquilo que a Irlanda fez, e pensando primeiramente numa politica voltada ás infra estruturas, como se tivéssemos uma base de formação já consolidada. Mas não penso que devemos fazer um “reset” de memória relativamente ao modelo que se desenhou nos últimos decénios, mas antes reabilita-lo de forma a corrigir muitos do erros que se cometeram, não podemos deitar fora o menino com a água do banho, e penso que a melhor forma de sair de um problema é através dele.
Outra das questões que ressaltou no debate é a que as entidades politicas deveriam diminuir os impostos e taxas relativos às empresas, que me parece ser uma medida sensata quando aplicada de forma estratégica mas com uma duração reduzida,à imagem da solução apresentada pelo Dr .Abilio Vilaça, em que o estado suportaria encargos com pessoal estagiário que reduziam de ano para ano, porque não aplicar o mesmo em relação ás taxas municipais. No entanto não defendo que deveríamos ser entusiastas de uma redução radical de taxas, pois parece-me importante que os municípios gerem riqueza de modo a cuidar dos espaços públicos, envolventes aos empreendimentos e devem ter um papel determinante na elaboração de estratégias no sentido de promover as empresas situadas no seu território, sem o capital inerente das taxas de fixação de empresas parece-me difícil conseguir representar o seu cargo de forma exemplar. E parecia-me discrepante aplicar taxas aos moradores e não aplicar às empresas! Aliás, isso faria com que os territórios sem taxas entrassem numa espiral de decrescimento e dependência absoluta do poder central , um problema poderia levar a outro ainda mais grave.
A capacidade de criar emprego não deve ser da responsabilidade do estado, que na minha opinião o deve promover, e neste capitulo acho importantíssimo apostar no capitulo da formação , ensinar a pescar em vez de estar-mos eternamente a dar o peixe. Uma sociedade com conhecimento é a melhor garantia para a formação de emprego, próprio ou mesmo na atracção de empresas uma vez que é extremamente caro para processo de produção a deslocação de quadros superiores.
Quando entramos para a UE Portugal e a Irlanda era dos últimos classificados, a nível do PIB, cerca 20 anos depois a Irlanda( que apostou no ensino gratuito para todos) é o segundo pais mais rico da UE , atrás só do Luxemburgo, Portugal apostando nas estradas e infra-estruturas que muitos para pouco ou nada servem, continua na cauda. Desemprego era o tema central do debate, em que eu esperava de ouvir falar mais de perspectivas futuras.
Foi penoso ver uma afluência tão pobre de público,( seria do dia e da hora? )que mesmo que não se goste dos oradores, esperava que os habitantes de Basto estivessem mais interessados neste problema que tanto nos assola.
Nos últimos anos segundo o Dr. Abílio Vilaça, houve um decréscimo na oferta de emprego na ordem de 35 % em Cabeceiras e de 75% em Celorico. (algo está mal nesta terra)
É preciso debater, e combater este problema de forma muito séria.

1 comentário:

A.Meirelles disse...

E agora ainda mais há mais desemprego. Devido á crise que é universal, a enxurrada de portugueses que foram para Espanha á procura de trabalho e de melhores salários estão a voltar em “massa” e a inscreverem-se nos centros de emprego aumentando assim a taxa de desemprego. Quando há muito desemprego nos grandes centros urbanos, nas terras de basto muito mais, muito também causado pelo aproveitamento das empresas.