quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Atrair uns para fixar os outros

. Durante uma troca de opiniões com uma pessoa que muito prezo, e que trabalha com uma autarquia das Terras de Basto, veio á conversa as apostas para o futuro, e aproveitei para questionar o porquê de tanta hesitação na aposta de edifícios dedicados à promoção cultural, ou a insistência em eventos de carácter popularucho, feiras disto ou daquilo, não se criando alternativas a estes eventos dedicado a públicos diferentes. -“Há coisas mais básicas de apoio á população que falta ainda fazer”.Há falta de emprego… Em certo modo discordei, pois há coisas que não funcionam de forma tão linear, porque nem todas as pessoas que vivem na nossa terra estão sem emprego, e que necessitam de cinema, teatro, música e outro tipo de eventos e que ganham o dinheiro na nossa terra e vão gastar fora em autenticas romarias a Guimarães, Porto, Braga, Famalicão , etc.…e ninguém faz o sentido inverso no mesmo tipo de procura… Sem infra-estruturas deste tipo não vamos conseguir marcar a diferença para a atracção de pessoas, e pessoas de cultura que trazem muitas das vezes com eles a capacidade de criar emprego é um ciclo normal que tem que se ter em atenção. Sei que já há apostas nesse sentido, o caso do Museu Terras de Basto, as Casas da Cultura mas que me parecem proporcionar uma oferta muito tímida, apostando pouco em eventos que se conciliar perfeitamente com os seus funcionamentos e que trariam uma dinâmica maior a estes espaços e instituições. Aproveitar os mesmos espaços durante a noite por exemplo, para diversos tipos de actividades, transformar e conceber espaços flexíveis com a capacidade de ter durante o dia uma função e durante a noite, outra. Espaços “multi-on”(com capacidade de se ligar varias vezes). Não era caro introduzir esta nova dinâmica nas instituições que pecam muitas das vezes pela incapacidade de inovação. E estas infra-estruturas podem viver , haja é quem as mantenha vivas, haja pessoas que as frequente, haja por isso quem consiga elaborar motivos de atracção das pessoas a estes mesmos espaços. Evolui a terra , a cultura e sensibilidade das suas gentes. Será que é uma opinião só minha, ou os leitores tem uma opinião semelhante? Lanço agora uma questão para debate Que instituições das nossa Terras cantam a cultura com dinamica e inovação, quais?

5 comentários:

Marco Gomes disse...

O repto é deveras complicado.

Primeiramente, dificilmente se destacará alguma em particular. Todas, aceite-se ou não, as instituições culturais contribuem para a cultura.

Quanto à inovação cultural. Certo e apoiado. Existe um hiato cultural na nossas terras. Razões culturais, políticas e económicas são, possivelmente, o argumento.

Teremos, a acontecer a esperada inovação, de sempre a adaptar ao viver, gentes e conceito cultural das Terras de Basto.

Contudo, não defendo uma "revolução cultural" à la chinesa. Creio, que conseguimos preservar o tradicional e inovar (simultaneamente) com o vanguardismo. Mas as instituições conceptualmente e ideologicamente têm-se de modernizar e adaptar-se aos tempos que correm.

Vejamos o exemplo da Casa da Cultura da Cabeceiras de Basto, um espaço magnífico, bem restaurado, bem situado. Contudo, provavelmente por ser polivalente e, também, por razões económicas e de má gestão do espaço cultural, encontramos horários desfasados e incompreensíveis para o trabalho que deve demonstrar. Por exemplo, termos exposições em horário de expediente (das 9 às 17 de Segunda à Sexta) !!! Pergunto-me para quem será a "cultura" lá exposta.

Mas as terras de basto terão que se "vanguardizar". Pela razão de equidade que também deve existir nas ofertas culturais (nem todos gostam do mesmo) e pelo dinamismo que se implanta pela cultura.

As estruturas são necessárias para a mudança ou complementaridade do paradigma cultural, contudo, algo mais difícil será impor os hábitos nas populações. Certo é , que sem oferta os hábitos não se criem.

Carvalho Leite disse...

Viva caro Marco
É claro que cantam a cultura, de uma forma mais ou menos tímida, mas duvido que estejam a aproveitar todos os potenciais.
Os horários é outra questão em que se nota haver uma discordância entre a hora de funcionamento e a hora propícia a mais visitas. Aproveito para estender o desafio as bibliotecas, por exemplo a biblioteca Marcelo Rebelo de Sousa, um diamante que ainda falta lapidar, com a documentação que tem, tem um funcionamento mau em termos de horários, salvo seja o sábado, há núcleos na sua envolvente que só foram utilizados no dia de inauguração, pouco se faz a mais que a abertura de manhã, pausa ao meio dia, e fecho á noite.
Mas a questões dos horários é aquela que todos vêem e se apercebem do seu mau funcionamento mas há muitas questões a mais que são responsáveis por um funcionamento débil dos equipamentos culturais. Falta sobretudo capacidade de elaborar eventos que atraiam pessoas, mais pessoas, aos espaços.
Deveriam funcionar com a mesma estratégia dos centros comerciais, para atrair e fixar o maior tempo possível as pessoas dentro do mesmo espaço para que estes tenham o maior consumo possível de... cultura.
Deviam-se lembrar de premiar os dirigentes pelo numero de visitantes, as coisas mudavam logo um bocadinho.

Anónimo disse...

Concordo com o Sr. quando fala em rimarias para outras localidades, quando pergunto a alguém o porquê de não haver em Cabeceiras um hipermercado ou outro tipo de estabelecimeito maior, respondem-me que é por perções dos comerciantes locais; Será que ainda não perceberam que as divisas estão a ir para as tais localidades?
Abraço

Carvalho Leite disse...

obrigado caro anonimo por intervir por ca.isto enriquece as mensagens e o debate, fazendo-me reflectir de forma mais aprofundada em certas materias, tornando as ideias mais claras.
quanto aos hipermercados:
Mais cedo ou mais tarde os hipermercados chegarão. cabeceiras e o seu poder autarquico nao consegue blindar eternamente a entrada aos mesmo por estes lados, mas se estes criam mais hipoteses de emprego aos nossos conterraneos, ao mesmo tempo ameaçam os de outros comerciantes, por isso é preciso pensar em estrategias para o dito "comercio tradicional", para que a maquina capitalista dos grandes shopings, nao os arruine por completo.
pensar em cartas comerciais, onde se estabelece as funçoes de cada loja numa rede de lojas é uma das hipoteses, as cooperativas de comercio outra, entre muitas, mas num momento proximo dedicarei uma mensagem a este tema para abrir mais a discussao.os produtores locais é que podem ver no hipermercado uma plataforma de expançao dos seus negocios,cooperando com a cadeia que se fixar por cá.
quanto á divulgaçao cultural feita pelos hipers, pode ir do cinema a outros eventos pontuais de promoçao de eventos.

Carvalho Leite disse...

e se as pessoas nao gastam o dinheiro que ganham no nosso comercio é porque este nao consegue responder a procura por parte destas pessoas, procura em todos os sentidos, qualidade diversidade, comodidade e preço. deste modo dinheiro que os cabeceirences dispensam para compras, nao é feito aqui.e ao fim de contas é muito dinheiro que é "investido" por outas terras, que poderia fazer a diferença aos nossos comerciantes, mas estes que nao pensem que conseguem resolver o problema dentro do espaço das suas lojas.
abraço