sábado, 28 de fevereiro de 2009

É por estas e por outras que tenho receio...

Às vezes tento acreditar no bom senso daquilo que a Edp nos diz acerca da barragem de Fridão, e que eles próprios são os primeiros a querer a boa qualidade das aguas, e de toda a envolvente e depois leio noticias como esta:
e fico a temer pelo futuro que eles nos reservam para esta terra. E não se responsabilizam pelo erro, o que ainda me deixa mais cauteloso, no Torrão a culpa foi deles,(admitem-no) mas temos que suportar o erro, e o atentado à natureza que ali se perpetuou, e se queremos ver a coisa alterada esperaremos que venham outros resolver, como no caso dos carvalhos abatidos é o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade a tomar medidas, e a ponderar a reflorestação. Fica muito mal este tipo de atitudes a empresas que tem uma enorme responsabilidade ambiental, perdendo alguma compreensão e confiança que alguns habitantes de basto lhe depositaram, fazendo entrar em descredito tudo aquilo que nos foi dito nos debates acerca da barragem do Fridão.

4 comentários:

Anónimo disse...

O ambiente nunca foi uma prioridade neste país, muito menos nas empresas de grande capital financeiro. Não te iludas com o "peixe" que vendem, porque apesar de venderem os benifícios das suas obras, eles escondem os milhenteos malefícios das mesmas. As populações desinformados mordem o isco e os governantes ignoram ou alteram as leis. eles vão fazendo o que querem e lhes apetcece. E assim é Portugal, um país de leis pouco claras em que uns enriquecem à custa do mal dos outros.

Adriano disse...

Nem mais! É por isso que devemos estar muito atentos quando iniciar-se o processo de avaliação de impacte ambiental...
A barragem de Fridão é uma obra de grande dimensão onde vai ser investido muito dinheiro. E não me venham com histórias! Por muito admirável que o vale do Tâmega seja, nenhum técnico no seu gabinete lá no alto de um prédio qualquer o sente como nós. Se fôr preciso passar por cima de alguns princípios básicos de protecção ambiental, eles fá-lo-ão. Nós é que temos a obrigação de zelar por aquilo que gostamos. Volto a insistir naquilo que eu acho fundamental - a qualidade da água. Será que as ETARS vão realmente ser construídas? A sua capacidade de tratamento será suficiente? tenho dúvidas... muitas dúvidas.
Saudações

Carlos Leite disse...

Caro anónimo, não estou iludido com nada, principalmente no aspecto que é referido, alias estou bem consciente das ameaças e das oportunidades que advêm da barragem. Agora uma coisa é a opinião que eu tenho, outra é aquela que vejo e respeito, de grande parte da nossa população, que é baseada no bom senso que acreditam existir por parte da EDP. Acho que ninguém governa para fazer mal a uma terra e á sua população, propositadamente . Acho é incorrecto o aprisionamento político que notamos haver em relação aos lobbies mega empresariais.
E daqui advém uma questão importante que serve também para responder ao Adriano, que é o facto de ter de ser as pessoas a fiscalizar as atitudes que emanam por parte destas empresas, pois parece estar tudo a favor das mesmas, e não acreditamos no bom senso de quem legisla, e nem no politico. Algo está muito mal quando assim se vive em democracia. Seremos nós porque não acreditamos , ou serão aqueles que agem de tal modo que destroem toda a credibilidade que lhes depositamos. Não devia ser assim, pois se assim for, acabe-se com as entidades reguladoras.
Temos de estar atentos, ao que se vai fazer, e estar ao mesmo tempo unidos para manifestar eventuais atentados que se possam perpetuar, pois parece que estamos por nossa conta.
As etars vão ser construidas, conheço já alguns projectos e intençoes que apontam nesse sentido, mas não adianta que se construam só aqui nas terras de basto, pois como disse no debate o rio já vem altamente poluido de Espanha.
e quanto ao conhecimento do Tamega e da sua envolvente, os tecnicos da Edp, conhecem-na bem(quando falei com o orador que não era de cá, no fim do debate, parecia que estava a falar com uma pessoa que conhece como a palma das maos o tamega) mas claro que conhece de forma teorica, e não vivencial ou sentida como nós,e enquanto o nosso interesse para com o tamega é em todos os sentidos, para eles é só economico, e se alguma principio ambiental for adulterado, não será com certeza por desconhecimento, mas por interesse.

Adriano disse...

Carlos, de facto, o técnico da EDP que falou no debate promovido pela Câmara de Cabeceiras mostrou ser grande conhecedor da área envolvente do Tâmega. É certo. Mas é um técnico. A EDP tens bons técnicos assim como as Águas de Portugal têm também bons técnicos. O facto de serem técnicos não quer dizer que não olhem para o interesse e bem estar das populações, aliás, é para isso que se fazem obras desta dimensão. Como é sabido, temos na UE, um sistema legal muito completo e desenvolvido, e Portugal é exemplar nessa matéria. Os legisladores cumprem muito bem o seu papel porque também estão apoiados por bons técnicos. Com isto quero dizer, que um projecto como este está bem enquadrado tanto ao nível da protecção ambiental como ao nível socio-económico. O problema é depois na fiscalização e no cumprimento das medidas propostas (obrigatórias) ao abrigo da avaliação de impacte ambiental. Tal como dizes, muitas vezes não acreditamos sem motivo algum, e aí somos nós que falhamos. Por outro lado é o poder político que falha, caíndo no nosso descrédito. Não podemos estar à espera que sejam sempre os outros a fazer aquilo que tem que ser feito por nós. Porque "nós", somos "todos".