terça-feira, 31 de março de 2009

As nossas vias de ferro

Depois de uma semana do encerramento temporário da linha do Tâmega, eis que salta para a discussão a tanta falta que nos faz a ferrovia.
A ferrovia perfila-se sem dúvida um meio de comunicação de futuro, quer a nível de segurança, como ambiental, conforto e pontualidade. É no meu entender uma personificação do tipo de sociedade que se poderá apresentar no futuro, uma vida rápida mas sem tensões de tempo, fala-se hoje cada vez mais em slow-life.
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Basto será exímio a garantir no futuro essa característica, e sinceramente parece-me redutor pensar uma ecopista em toda a extensão da ferrovia existente quando já sabemos que este tipo de empreendimento não é mobilizador, e por isso pouco rentavel. E construir a ecopista sobre a linha leva a que no futuro tenhamos que escolher uma valência em detrimento de outra. Se notarmos que a ecopista é um projecto imprescindível para o nosso futuro, porque não requalificar antes caminhos camarários se encontram abandonados e com boas características de serem aproveitados como pequenos troços de ecopista. Funcionando como redes pensadas de forma a ligar e a enfatizar a história e características naturais da nossa região. Requalifiquemos os percursos como o picadeiro de D. Nuno Alvares Pereira, requalificaríamos a parte baixa perto da linha em vila Nune, Canedo Veade Mondim e Celorico, de forma a fazer arranjos que serviriam como remediadores do lago da barragem e ao mesmo tempo como forma de ligar os muitos solares, e outras valências que se plantam nestas regiões.
[imagens tiradas da Refer]
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Contudo não me parece que nenhum destes projecto seja para agora prioritário, chega do pensamento que é nas vias que reside o problema. É preciso pensar outros aspectos da nossa região, parece-me que nos agarramos a esta questão das vias e das acessibilidades como o remédio para todos os males. A via férrea virá no futuro, como sibilante encantador da nossa terra, que se desenvolveu com as ferramentas que tinha, e por ela soube esperar.
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Pensemos agora formas de reabilitar e dinamizar Basto tirando partido dos recursos humanos que é preciso formar e dar apoio para que se tornem empreendedores. Depois logo veremos o que esta região precisa em termos viários ou ferroviários.
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Pensemos a via segura como o ferro, sobre a qual temos que desenvolver e fazer deslizar o comboio da destradicionalização, e da criatividade e inovação que levará com ele esta região até a estação onde entrará o desenvolvimento, apartir daí o futuro e a paisagem será diferente.

segunda-feira, 30 de março de 2009

F(e)ridão Ambiental

Em Basto continua-se a debater a barragem de Fridão,agora o EIA(estudo de impacte ambiental), e o ultimo debate em Mondim mostra um grande inconformismo por parte da população, que sem interesses dentro da Edp, mostram e provam a preocupaçao com uma boa adesão aos debates acerca do tema. Há interesse por parte da população que esbarra sempre na pouca vontade politica a expor o projecto e o futuro que o mesmo nos reserva. Poucos continuam a ser aqueles que vêem a barragem como boa, poucos mas os que realmente tem poder, concedido pelo povo, mas nenhum eleitor consentiu a construção da barragem no acto de eleição , por isso não percebo como as autarquias conseguiram dar um parecer positivo á sua construção antes de sondarem minimamente a população.
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O Tâmega e a problemática da barragem de Fridão , tem agregado as nossas populações de Basto numa busca de informação acesa. É um problema sistémico, e não isolado, no qual nos devemos envolver.
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Eu temo pelo ambiente, e pelo nosso microclima que nos garante distinção. E temo que a população interessada não esteja a ser vista com o respeito que tanto merecem. Temo que o futuro desta terra esteja a ficar comprometido.

segunda-feira, 23 de março de 2009

CRAVINHO acessivel.

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. [imagem tirada daqui]
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Com muita atitude, sério no debate, sério nas ideias, enganado só pelos dados que lhe facultaram, e porque se soube distanciar bem da falácia que acessibilidades é que são a totalidade do desenvolvimento, e porque soube muito bem apontar os paradigmas para os quais nos devemos posicionar o quanto antes para enfrentar o futuro, o Engenheiro João cravinho conseguiu dar em Cabeceiras uma explanação que no meu entender foi a melhor das que assisti da série “politicas de futuro”. E acessibilidades não são só as estradas, acessibilidades são a garantia de criação de uma serie de condições que permita a mobilidade, nem sempre física das pessoas. Tal como ele fechou brilhantemente a conferência acessibilidades é o exemplo que “acessibilidades é eu vir de Londres a Cabeceiras para dar a Conferencia.”
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Um homem que pela independencia, de pensamento, se deveria replicar em Portugal, que se debate por causas e não por numeros, com os pés assentes na terra. E agora percebo algum distanciamento ao actual governo central. O seu nome parece estar emprestado ao simbolo libertador de Abril,(se acham exagerado pensem no diminuitivo) e que agora tanto tanto faz falta na politica atroz e repulsiva para quem tiver ideias dissonantes, daquelas muitas que até agora vimos estar erradas.
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. Brevemente apontarei mais questões levantadas nesta conferência, principalmente cruzadas com modelos e pensamentos que tenho vindo aqui a defender. Se os meus pensamentos baseados em muito estudo sério não é o suficiente para a credibilidade dos mesmos, agora pode ser que reforçados pelas palavras do engenheiro Cravinho possam ter um alcance maior. Por isso esta conferencia veio a confirmar aquilo que tenho vindo a defender para Basto, terra dos verdes, (reparem que até ele associou o verde á nossa terra). Demarquemo-nos pela terra dos Verdes é esta a MARCA que nos faz falta.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Esta mui nobre flor, Camélia de potencial infinito

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[Camelia Macieirinha e Camelia S Roque ]

Em Celorico de sexta a domingo discutiu-se as potencialidades turísticas que as Camélias atribui a este concelho. Parece-me muito boa a iniciativa, da Qualidade de Basto em parceria com a Ccamara municipal, a realizar já a VI edição da Festa das Camélias. Um certame que tem como intenção de promover a tão extensa e nobre especificidade deste núcleo de Basto. Aproveitou-se para mostrar e discutir as enormes potencialidades que as camélias podem ter como produto turístico. Explanou-se também outras potencialidades das Camélias desde aromáticas ás gustativas, passando até pelo mote de criação de empresas. Uma prova viva que património não é apenas os edifícios do passado mas também tudo que os circunda, e que caracteriza a forma de vida de uma geração. Celorico tem mais de mil razoes para acordar da actividade algo adormecida que se tem entregado. E não podemos culpar sempre quem governa, pois uma prova viva de uma certa preocupação é a realização deste evento. Parece-me muito bem que Celorico continue a promover de forma tão afincada esta sua especificidade, pois é aqui que se situa a mais antiga Camélia da Europa Continental. Gostei da presença da senhora Isaura de Allen pois foi , quem até hoje, numa visita ao seu solar, mais me ensinou acerca desta flor e do seu valor infinito.
No entanto parece-me que seria importante invocar a presença dos restantes concelhos das terras de Basto de forma a dar uma maior projecção e este tipo evento, até para que tenha uma maior projecção a nível do território de Basto. Mas Celorico deve pensar ao mesmo tempo na participação em outros promovidos e realizados noutros concelhos. Devemos realizar eventos para os nossos habitantes, de forma a construir e mostrar uma identidade sólida, e digna de deslumbramento para quem nos visita. E sinceramente parece-me que os celoricenses ainda vivem bastante á margem deste acontecimento. É preciso cativa-los.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

O debate - Consequências do desemprego nas Terras de Basto

No sábado decorreu no Arco de Baulhe, uma conferencia promovida pela adBasto , em que se discutiu, com a presença do professor Manuel Monteiro, as consequências do desemprego nas Terras de basto e as perspectivas futuras.
Um debate que valeu principalmente pela vontade de se falar e discutir este problema pertinente que tanto afecta as nossas populações. E segundo os oradores o problema reside numa crise estrutural que nasceu com este ciclo de globalização, e por uma aposta errada por parte de Portugal nas suas prioridades de desenvolvimento.
Também na minha opinião, Portugal não se posicionou de forma correcta, ao não investir da melhor forma na formação de recursos humanos, á imagem daquilo que a Irlanda fez, e pensando primeiramente numa politica voltada ás infra estruturas, como se tivéssemos uma base de formação já consolidada. Mas não penso que devemos fazer um “reset” de memória relativamente ao modelo que se desenhou nos últimos decénios, mas antes reabilita-lo de forma a corrigir muitos do erros que se cometeram, não podemos deitar fora o menino com a água do banho, e penso que a melhor forma de sair de um problema é através dele.
Outra das questões que ressaltou no debate é a que as entidades politicas deveriam diminuir os impostos e taxas relativos às empresas, que me parece ser uma medida sensata quando aplicada de forma estratégica mas com uma duração reduzida,à imagem da solução apresentada pelo Dr .Abilio Vilaça, em que o estado suportaria encargos com pessoal estagiário que reduziam de ano para ano, porque não aplicar o mesmo em relação ás taxas municipais. No entanto não defendo que deveríamos ser entusiastas de uma redução radical de taxas, pois parece-me importante que os municípios gerem riqueza de modo a cuidar dos espaços públicos, envolventes aos empreendimentos e devem ter um papel determinante na elaboração de estratégias no sentido de promover as empresas situadas no seu território, sem o capital inerente das taxas de fixação de empresas parece-me difícil conseguir representar o seu cargo de forma exemplar. E parecia-me discrepante aplicar taxas aos moradores e não aplicar às empresas! Aliás, isso faria com que os territórios sem taxas entrassem numa espiral de decrescimento e dependência absoluta do poder central , um problema poderia levar a outro ainda mais grave.
A capacidade de criar emprego não deve ser da responsabilidade do estado, que na minha opinião o deve promover, e neste capitulo acho importantíssimo apostar no capitulo da formação , ensinar a pescar em vez de estar-mos eternamente a dar o peixe. Uma sociedade com conhecimento é a melhor garantia para a formação de emprego, próprio ou mesmo na atracção de empresas uma vez que é extremamente caro para processo de produção a deslocação de quadros superiores.
Quando entramos para a UE Portugal e a Irlanda era dos últimos classificados, a nível do PIB, cerca 20 anos depois a Irlanda( que apostou no ensino gratuito para todos) é o segundo pais mais rico da UE , atrás só do Luxemburgo, Portugal apostando nas estradas e infra-estruturas que muitos para pouco ou nada servem, continua na cauda. Desemprego era o tema central do debate, em que eu esperava de ouvir falar mais de perspectivas futuras.
Foi penoso ver uma afluência tão pobre de público,( seria do dia e da hora? )que mesmo que não se goste dos oradores, esperava que os habitantes de Basto estivessem mais interessados neste problema que tanto nos assola.
Nos últimos anos segundo o Dr. Abílio Vilaça, houve um decréscimo na oferta de emprego na ordem de 35 % em Cabeceiras e de 75% em Celorico. (algo está mal nesta terra)
É preciso debater, e combater este problema de forma muito séria.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pensar Basto

As nossas terras de Basto já perceberam que as exigências que hoje lhes são dadas tem uma natureza diferente baseada numa sociedade diferente moldada pela globalização.
E fala-se muito em competitividade dos territórios, numa lógica de cooperação em rede que não tem que ser estabelecido com a vizinhança próxima, mas com aqueles que nutrem os mesmos objectivos.
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Esquecem-se que esse tipo de planeamento de competitividade é feito por cidades com uma certa dimensão e riqueza urbana, que está ao alcance de poucas cidades em Portugal, às nossas vilas de Basto, não resta senão um sentido de cooperação, que podem engendrar solitariamente com outras entidades externas, mas que nunca se poderá destacar, porque os recursos tangíveis presentes em Cabeceiras(p.exemplo), encontram-se em Celorico ,Mondim ou Ribeira de Pena, conseguindo-se as mesmas especificidades não se conseguindo por aí fazer a diferença. Quanto aos activos intangíveis( cultura, formação etc.) que valem cada vez mais, eles existem espalhados de forma homogénea entre o território de Basto. Não acredito que nenhum concelho se demarque também nesse sentido.
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Porque estamos a fazer difícil o que de certo modo é fácil, numa estratégia de cooperação a nível das terras de Basto. Não tem que ser em todos os projectos, mas apenas nos projectos bandeira. Porque não uma estratégia de colaboração cultural, á imagem da feira dos vinhos itinerante, em que se notava a diferença, e uma aproximação entre os quatro concelhos de Basto. Ou então lembremo-nos de projectos como a Escola Profissional e Agrícola de Fermil, fundada num acordo entre os actores políticos de Basto. E porque não pensar no mesmo sentido para uma Escola Superior que serviria os quatro concelhos de Basto, de forma a conseguir recursos humanos que consigam desenvolver estas terras, para um concelho é um projecto talvez desmedido, mas para os quatro penso que seja possível de alcançar, só com estradas já vimos que não vamos lá. Basto é único, em características, cultura e até em microclima, a terra de excelência dos Verdes, desde os vinhos, passando pelas paisagens, e de uma certa qualidade de vida que anda aqui se pode oferecer.
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Não faz sentido dizer que o Monte da senhora da graça é só de Mondim, quando de todo o território de basto tenho uma vista exuberante sobre ele, não faz sentido dizer que o Mosteiro é só de Cabeceiras quando é tão conhecido e amado por todas as terras de Basto, o mesmo digo dos Solares que se plantam de forma graciosa por todo o território de Basto. É uma cultura única baseada nos mesmos valores e características, porque pensa-la fragmentada?
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Deixemo-nos de individualidades, e estrelato isolado e pensemos Basto em conjunto.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

É por estas e por outras que tenho receio...

Às vezes tento acreditar no bom senso daquilo que a Edp nos diz acerca da barragem de Fridão, e que eles próprios são os primeiros a querer a boa qualidade das aguas, e de toda a envolvente e depois leio noticias como esta:
e fico a temer pelo futuro que eles nos reservam para esta terra. E não se responsabilizam pelo erro, o que ainda me deixa mais cauteloso, no Torrão a culpa foi deles,(admitem-no) mas temos que suportar o erro, e o atentado à natureza que ali se perpetuou, e se queremos ver a coisa alterada esperaremos que venham outros resolver, como no caso dos carvalhos abatidos é o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade a tomar medidas, e a ponderar a reflorestação. Fica muito mal este tipo de atitudes a empresas que tem uma enorme responsabilidade ambiental, perdendo alguma compreensão e confiança que alguns habitantes de basto lhe depositaram, fazendo entrar em descredito tudo aquilo que nos foi dito nos debates acerca da barragem do Fridão.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Carnaval “soube-te a pouco? Foi com a tua ajuda”.

[foto do reporter amador]
Mais um Carnaval, mais uma vez aqui pelas terras de Basto ficamos pela iniciativa isolada por parte da A.r.c.a, e as acostumadas criticas emanada por quem assiste. Às quais a melhor resposta é uma frase que recordo no ultimo carro do Corso de 2002 que dizia “soube-te a pouco? Foi com a tua ajuda”.

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As iniciativas nas terras de basto são diminutas, não existem incentivos, não existe um associativismo dinâmico de forma a transformar e reinventar os hábitos da nossa região que começam a entrar numa acentuada decadência. Continuo aqui a dizer que Basto está separado em tudo, politicamente, eventos culturais como este, e depois os concelhos de Basto vizinhos alem de não participarem, também não realizam nenhum evento como alternativa a este realizado pela A.R.C.A.
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Pergunto porque as autarquias das Terras de Basto, uma vez que não organizam nada, porque não incentivam a participação nestes eventos, ou até porque não solicitar e incentivar a participação das escolas para que todos participem e tornem o carnaval das terras de Basto uma referência, porque é também por aqui que se consegue fazer a diferença. Actualmente temos uma afluência de publico excelente mas se a coisa continua pelo mesmo andar, não perspectivo um futuro risonho para o Carnaval da A.R.C.A mas que não deveriamos deixar morrer uma vez que é o único de Basto no dia que lhe é devido. Haverá responsbilidades na perda de participantes pela divulgação tardia do acontecimento, e pela falta de desenvolvimento de estratégias para cativar mais participantes,(e não utilizem mais o discurso, do só faz falta quem cá está), mas apesar de tudo isto critico de forma mais exaustiva a atitude dos habitantes de Basto, que não respondem minimamente aos apelos e às poucas iniciativas que se vão fazendo na nossa região. Este sim parece-me o principal motivo para que estas tradições entrem em decadência.
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Soube-te a pouco? foi com a tua ajuda.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"All"deias de Basto

A Região de Basto, fora dos quatro maiores aglomerados urbanos e das ligações entre eles, apresenta uma quantidade infindável de aldeias com características quase únicas. Uma arquitectura vernácula de uma e harmonia tal com a natureza, que ao longe mais parecem cavernas de lobos, como escreveu Torga. Mas dói só de ver aquelas paredes órfãs de telhados e de gente, na sua maioria.
São a identidade de uma época que se está a perder, de um bem saber fazer, de uma época que o homem respeitava o ciclo da natureza, e ela como com uma atitude de reciprocidade e regada com suor de sol a sol, lá lhe ia dando o que se tinha de repartir com os patrões. Uma época que apesar de tudo, deixa boas recordações, e onde está gravada a juventude e as memorias de muitos dos nossos.
Estas aldeias tem coisas boas, muito valorizadas actualmente por isso "não podemos deitar fora o menino com a agua do banho."
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Que futuro para as nossas aldeias?
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Deixa-las morrer, parece-me deixar morrer com elas parte da identidade das nossas terras. sendo necessario a elaboração de planos estratégicos para as dinamizar.
. Não me parece que estas aldeias isoladas consigam vingar no futuro agarradas a um único sector, seja ele o turismo ou a agricultura. Parecendo-me a mim que o futuro possa vir a ser risonho, se conseguirmos conjugar os dois factores.
Os acessos fisicos, devem ser complementados com os tecnologicos, no entanto parece-me que maior parte destas aldeias já os têm.
. A museificação destas aldeias foi uma solução apontada pelo arquitecto Nuno Portas , que a mim me parece falível, pela dificuldade de rentabilização em termos turísticos e de recursos humanos para manter a actividade de uma aldeia museu. Parecendo-me que a melhor forma de as mesmas não perderem interesse é manter a sua produção mesmo que por diminuta que seja, mas de forma a conservar a sua excelencia , e funcionarem como bandeiras de cada aldeia, complementando-os com algum lugar que os confeccione e comercialize e ao mesmo tempo para deitar quem visite e aprecie estas aldeias, claro que tudo isto adaptado à escala de cada lugar.
(sem querer fazer publicidade, vejam o caso do restaurante e estalagem "nariz do mundo")
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Manter a actividade que ainda há nestas aldeias, pode ser um factor importantíssimo e interessantíssimo a aproveitar, complementando-o e atribuindo-lhe dinâmica com outras funções, turísticas de segunda residência, de comércio das especificidades dos produtos para lojas “gourmet”. Mas acho importante construir uma plataforma que possa unir e rentabilizar os interesses destas aldeias. Elas não estão mortas, vivem é com muito sacrificio, e essa é a situação que é preciso alterar.
Outra função que se poderia dar era a de “aldeias lar”, que passaria pela recuperação das habitações e adaptação ás exigências de agora, complementando-as com uma micro clínica geriátrica, de forma a criar condições quer para os idosos que lá vivem, quer para atrair um nicho de investimento por parte de pessoas idosas que fartas da confusão citadina estão dispostos a investir em lugares como estes, parecendo-me que a presença de gente das varias faixas etárias nestes lugares, será o melhor convite ao sentimento de inclusão social destas pessoas, conservando a etnicidade e os valores genuínos que sempre identificaram as aldeias.
Projectos como o aldeias do xisto podem servir de referencia.
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“respeitar o passado não é ficar eternamente agarrado a este”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Casas mal governadas

A maior parte dos presidentes das Câmaras que viram chumbados empréstimos no âmbito do Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas (PRED) mostraram-se hoje desiludidos com a decisão da tutela e alguns esperam mesmo que a decisão seja revista
…o presidente da câmara de Celorico de Basto, Albertino Mota e Silva, admitiu abrandar o volume de obras e pedir mais paciência a quem está à espera de receber depois de ver recusada uma verba de 900 mil euros. "Vamos tentar arranjar outra solução", garantiu o autarca, sublinhando que não são só as câmaras pequenas que se têm confrontado com dificuldades financeiras.
"Lisboa pediu um financiamento de 130 milhões e que eu saiba não é maior do que Celorico 130 vezes", exemplificou.
O presidente da câmara de Celorico de Basto adiantou que alguns pagamentos estão com 18 meses de atraso, mas espera regularizar estas dívidas em breve. "Temos comparticipações para receber [através de programas comunitários], mas estão atrasadas", referiu.
Entre eles está o concelho com mais habitantes das terras de Basto, Celorico de Basto, e que é no que concede ao numero de habitantes apenas 28 vezes mais pequeno que Lisboa, no entanto o que conta é a capacidade de endividamento (nome curioso, e a capacidade de não se endividar deveria contar bem mais).
Ribeira de Pena por sua vez, viu-lhe concedido o montante a que concorreu de 877.818 €, Mondim e Cabeceiras não recorreram ao apoio.
Gostaria de ver as nossas Câmaras, a tornarem-se independentes deste tipo de recursos,tão falaciosos como as distribuiçao de verbas.
E não falem nunca em desilusão, pois a desilusão é para quem confia os destinos do país a políticos que não governam bem a casa. Mas ao mesmo tempo compreendo que estes concelhos não têem alternativa, depois de verem verbas perdidas pelo caminho e a maioria mal distribuídas, a não ser o endividamento.
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Depois dos empréstimos infindáveis à Banca, depois de vários planos de salvamento de empresas, são os municípios a verem chumbados os acessos a vários créditos, e assim obrigados a eternizar as dívidas aos credores, parece-me uma medida incongruente às que exceptuam a obrigatoriedade do concurso a obras inferiores a 5 milhões de euros para acelerar e evitar estagnação em tempos de crise.
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Adenda: Segundo o jornal o Publico a Camara de Celorico de Basto, "viu recusados os apoios por apresentarem dívidas reduzidas e prazos médios de pagamento baixos. Celorico de Basto ... além destes dois motivos, já tinham beneficiado do Programa Pagar a Tempo e Horas, criado para reduzir as dívidas a fornecedores dos serviços públicos."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pros & Contras da Barragem de Fridão

Corrido mais um, dos ainda poucos debates feitos, acerca dos impactos da barragem de Fridão na nossa região eis que levanto humildemente o que entendo ainda de prós & contras.
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Prós:

- O projecto visa garantir a independência energética do país, aumentando a produção hidroeléctrica
- O mega projecto, pode surgir como motor de arranque a outras iniciativas a nível de apostas na nossa região.
- Valorização de um tipo de turismo de albufeira, e a possibilidade do aparecimento de empreendimentos nas margens do enorme lago de forma a tirar partido deste.
- construção de novos acessos, de forma a substituir alguns mais sinuosos (exemplos das pontes que liga a recta da pena em Mondim ao acesso á estação de Veade, e outra a ligar Veade a Lordelo.)
- o aumento de escala do rio, pode estabelecer alguma espectacularidade á paisagem, pela conjugação do elemento agua com a montanha.
-reaproveitamento do rio para uma função .
- Criação de emprego durante a construção dos empreendimentos.
- o exemplo da albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros, ou o impacto positivo no Turismo do Alqueva podem ser exemplos a seguir.
-pode provocar a solidariedade de todos os actores envolvidos para que se faça agora a despoluição do Tâmega.
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Contras:
- Destruição de uma harmonia paisagística e de um curso de água natural, calando as pequenas cascatas e a dinâmica natural do rio.
- a cidade de Amarante, fica abaixo de um paredão de agua, deixando a cidade sobre a pressão psicológica, que merece a solidariedade das nossas terras.
-as barragens irão agravar a poluição do rio Tâmega, podendo as aguas ser vitimas de eutrofização, libertando gazes altamente prejudiciais para a saúde humana, podendo este factor destruir quase todas as potencialidades que se poderia tirar do lago artificial.
-temo, embora no debate nos foi garantido o contrário, que haja impactos gravosos sobre o nosso microclima, destruindo a excelência na produção, de várias culturas, que sempre se constituíram como bandeira das nossas terras, como o caso dos vinhos verdes (nunca podemos comparar com o caso do Douro, porque a especificidade é diferente, pois a produção lá é de vinho maduro, e a insolação tem orientações altamente distintas.
- o facto de o rio, pelo que nos foi mostrado pela EDP, estar a ser visto apenas como um reservatório de agua, pode trazer com que se cometa alguns atentados noutros sentidos.
-a destruição da paisagem, pode surgir como uma agressão à memória da população, e logo á identidade da mesma.
-viciação de toda a fauna e flora do rio.
-está provado que hoje , o turismo valoriza mais as questões, identitárias e genuínas de uma região, e cada vez menos o tipo de turismo que emerge deste tipo de acontecimentos.
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Questões para pensar:
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-o facto de as regiões onde foram construídas barragens no passado, não apresentarem um índice de desenvolvimento esperado, prova que as potencialidades não surgem automaticamente com as barragens, tendo estas que serem construídas pela população, ou pela captação de investidores.
-temos que ter uma atitude de empreendedores e optimistas nesta causa, e mesmo que sejamos contra á construção da mesma, temos que tirar da “desgraça” algum proveito.
-segundo a EDP a maioria da população directamente envolvida, depois de sondada, manifesta-se a favor das barragens no Tâmega.
. Faço aos leitores o apelo a pesarem os mesmos para que se consolide a opinião, convidando consequentemente a manifestarem-na.
E os leitores como vêem as barragens no Tâmega?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O interior "D"esquecido e ostracizado

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) defendeu hoje que o Governo deve tomar medidas para incentivar a natalidade nos concelhos desertificados, uma reclamação que é também subscrita por uma investigadora desta área.
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"Para estancarem a desertificação e fixarem população as autarquias deitam mão a todos os instrumentos possíveis e imaginários", salientou, por seu turno, o presidente da ANMP.
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Os incentivos à natalidade promovidos pelas autarquias podem, nuns casos, "contribuir para que os casais tenham filhos mais cedo, mesmo que a sua fecundidade final não se altere", enquanto que, noutros casos, "pode mesmo aumentar a fecundidade".
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. Pois bem, incentive-se de forma séria a natalidade, que será um problema grave para o futuro, mas não é só o interior que está a braços com este problema, mas continua a ser tratada sem o ênfase que merecia(veja-se e siga-se o caso Alemão) no entanto este problema é mais notório quando é somado a muitos outros que existem, e aí o interior mais uma vez sente-se mais afectado, e não entendo que seja por falta dos recursos que são oferecidos como prémios que as pessoas deixam de ter filhos, mas mais porque não tem condições para os criarem com as mesmas oportunidades que tem nas cidades do litoral.
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O interior e as zonas fora das grandes cidades tem sido manietadas de muitos equipamentos que promovem este desequilíbrio brutal entre interior e litoral, mas assim continuam a aplicar o mesmo tipo de politica do litoral, atribuindo verbas em sectores, que dizem de base, que podiam esperar, deixando-se de lado politicas e estratégias que promovam o emprego, que é no meu entender a grande ancora para segurar um índice de natalidade que sustente o futuro destas terras.
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E ao contrario daquilo que diz Fernando Ruas, penso que as autarquias do interior não tem sido visionarias o bastante para se libertarem de uma dependência absoluta de um centralismo papão, que não tem capacidade de inverter o desequilíbrio gritante entre diferentes regiões do país. E os municípios numa politica de proximidade viciada e popularucha continuam a dar às pessoas o que eles querem (o peixe) e não aquilo que elas precisam (aprender a pescar), traçando politicas a curto prazo e sem grande sustentabilidade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Como adormecer os turistas na Terra de Basto

Depois da leituras deste texto no blog “ A culpa é sempre dos jornalistas”. Nada mais me restou senão uma concordância absoluta com o que por lá se diz. Refiro isto porque a nossa terra de Basto precisa muito deste tipo de marketing, mas alerto para que não seja feito de forma tão pobre. Já dei exemplos deste tipo de campanhas aqui no blog do marketing urbano, e que hoje está muito em voga e muitas vezes é bem utilizado, por quem sabe e logo daí advêm excelentes resultados.
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O caminho
A cidade de Braga lançou uma campanha, para tentar fazer com que as pessoas que visitam a cidade ou a cruzam diariamente, dormissem mais por lá. É uma boa ideia, estimula as redes hoteleiras, o comercio local etc...
Para as terras de basto, com a excelência do ambiente, e do Verde da nossa região, era bom lançarem campanhas que os promovam. E nos locais onde hajam dormidas, porque não lançarem o mesmo tipo de slogan, mas melhor. .
A forma como o caminho foi feito.

O slogan muito mal escolhido, foi posto ao lado de uma figura feminina sorridente, que leva a pensar alguma promiscuidade na campanha. E o facto de escolherem duas mensagens para o mesmo cartaz foi infeliz.
. Aqui em basto o que fazer: Trabalhar com pessoas competentes e com ideias neste tipo de ferramentas. É muito importante isto num mundo da informação e criatividade, pois as percepções que se fica de cada terra é definida por imagens.
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Sugestões:
. Assim e só por exemplo :
Em Basto não se dorme à pressa.
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. Ou
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Faça de puro verde a sua cama.
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(celorico tem promovido a sua imagem de forma muito cuidada, e com resutados interessantes, parece-me um exemplo a seguir neste registo)
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Vamos fazer com que subdesenvolvimento que esta terra tem em relação ás outras , traga vantagens, pois podemos aprender com os erros e virtudes alheias, e assim acelerar o tão ambicionado progresso.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Discutir o futuro "?submerso?" que a barragem nos reserva!

Em seguimento do voto de protesto contra a Barragem de Fridão, apresentado pelo Vítor Pimenta, e consequente aprovação por parte da Assembleia da Junta do Arco de Baulhe, que agitou a passividade politica acerca das barragens e os seus impactes sobre esta região, a câmara de Cabeceiras agendou para a próxima conferencia , Politicas de Futuro a realizar dia 13 de Fevereiro ás 21 e 30h, o tema "O impacte da Barragem de Fridão", tendo como orador um representante da EDP , para uma explanação que pela sua ligação á empresa está à partida viciada, apontando apenas para os eventuais benefícios que a mesma irá arrestar.
Trazer alguém ligado á EDP para nos apresentar as oportunidades trazidas pela Barragem de Fridão é falível, pois parece-me que para uma questão tão sensivel e irreversivel, deveria-mos receber as opiniões de um organismo independente e não a explanação de quem tem que vender o seu produto, sem por isso nos alertar para todos os contras que o mesmo possa ter.
Pelo que tenho aqui , aqui e aqui referido, as barragens serão sem duvida um dos acontecimentos que mais impacte terá sobre o futuro desta região, influenciando a sua qualidade ambiental, e adulterando o excelente microclima aqui presente que tornou estas terras propícias ao desenvolvimento de culturas seculares que são as grandes bandeiras da nossa região como é o caso dos vinhos verdes. Não consigo ter certezas e uma opinião absolutamente definida acerca do aparecimento da barragem, pois parece-me que poderiam advir oportunidades com a sua construção, mas ao mesmo tempo todas as politicas regionais estão a ser traçadas sem considerarem as mesmas. Optando-se por paisagens milenares, apostas nos recursos endógenos sendo tudo isto contraditório quando aparece a barragem, a barragem vai destruir a harmonia das paisagens milenares em Celorico, e vai viciar as nossas especificidades que nos são trazidas pelo excelente microclima. O turismo que me parece um sector a ter em conta, pode ser dinamizado numa parte, dos desportos aquáticos etc…mas ao mesmo tempo será afectado por a artificialidade do lago que contrapõe os valores genuínos e que cada vez mais são valorizados pelos turistas.
Um enorme lago verde eutrófico, à imagem do provocado pela Barragem do Torrão parece ser por isso a sentença que nos espera, e neste caso um presente envenenado.
Se a barragem traz vantagens inerentes a ela, as mesmas tem que ser construídas.
Aos companheiros de discussão desta causa na blogosfera faço tambem aqui o apelo a estarem presentes.
Apelo ao mesmo tempo , a que todas as pessoas de Basto se envolvam nesta causa, e que procurem formar opinião própria para se manifestarem, e pensarem se a barragem preconiza o sonho que temos para esta terra, e se propicia o aparecimento das oportunidades de futuro que desejamos para nos e para os nossos filhos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

PORTAS para o desenvolvimento rural/ urbano

Depois de adiada por motivos de intempérie e sucessiva falha prolongada de energia electrica, a 24ª conferencia politicas de futuro, "o desenvolvimento nos meios Rurais/ urbanos", realizou-se na passada sexta, com a presença do conceituado Arquitecto Urbanista Nuno Portas.
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Uma conferencia que se esperava por uma incisão maior nas especificidades locais, mas cujo o seu desenvolvimento acabou muito por se generalizar no caso e na especificidade de território com uma ocupação difusa do solo que caracteriza o Minho. Falando-se muito do conceito de rurbanidade (mistura entre urbano e rural). Criando espaços entre cidades ou entre urbanos cuja a distancia entre eles é cada vez mais medido em função do tempo que os separa em detrimento da distancia em Km.
O arquitecto continuou referindo que os espaços urbanos, não se devem a limitar a desenvolver e a atrair para a região os vulgares kits( referindo-se ao conjunto de equipamentos por vezes supérfluos que se pedem aos governos) , para passar a desenvolver as regiões com base em especificidades, desenvolvendo uma competitividade baseada na diferença, e utilizando equipamentos numa rede intermunicipal. Referindo a necessidade de por exemplo a região de Basto se desenvolver em rede, tendo um município uma excelente piscina, outro um importante complexo á cultura e intercambiando esses serviços entre eles, viver mais numa espécie de complementaridade.

Outra das questões abordadas foi a do grave problema que uma terra tem quando vê os seus jovens a abandonar a terra por fome ou por falta de emprego. Ao que eu acrescento a atenção que se deve ter a esta classe que cada vez mais sai das escolas com um nível de formação mais avançada, devendo-se a meu ver apostar na investigação através da fixação de centros tecnológicos e nas incubadoras de empresas, para se ambicionar fixar aqui nesta terra a curto prazo a cadeia completa de produção das nossas especificidades, e fazer das terras de Basto uma BOMBA DE CRIAÇAO MASSIVA .

Devemos produzir segundo o orador uma oferta cultural para os habitantes, e os turistas virão por acréscimo, sendo evidente aqui a apologia uma vez mais às especificidades da cultura local. Citando que o turismo é caracterizado por ser mais selectivo e decidido mais individualmente e cada vez menos em romarias de autocarros.

Sugestões apontadas:

Os núcleos urbanos não se devem estender mais, mas sim ligar as partes existentes. Fazer o melhor das vilas e não crescer as ditas superfícies urbanas. Os equipamentos devem estar o mais distribuídos possíveis por todo o concelho, concentra-los na sede pode ser mau e desequilibrador para o desenvolvimento global, utilizando uma lógica de ligação em rede. Colmatar as vias transformando-as em ruas, melhorando o espaço publico humanizando-o plantando arvores e fazer bons passeios e zonas de estar. Semear a industria de forma a separar aquela associada à transformação em massa e mais poluente, e que requer o movimento de veículos de grande porte, concentrando-as em parques industriais, ao contrario das industrias criativas que se devem misturar cada vez mais com o resto da cidade, criando-se uma mescla saudável. Criar actividades para os jovens que são os primeiros a abandonar. Falou-se também do futuro a dar ás nossas aldeias isoladas, sugerindo o arquitecto soluções inovadoras e que dever sair da cabeça dos locais, apontando sugestões de aldeias lar, e de colónias de ferias, ou ainda a museificaçao das mesmas. Nuno Portas em conclusão final, e quando confrontado pelo presidente da Câmara sobre a forma como lidava, com a diferença partidária que reina na sua família,(é pai de Paulo e MiguelPortas) respondeu brilhantemente, evidenciando a capacidade cívica que todos devemos ter e de viver e conviver amistosamente com a diferença.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vergonha Social...

"Morte de idoso em condições de miséria gera contestação pública, em Mondim" ( In mondim online)
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. É um caso esporádico? Vai-se agir mais uma vez á posteriori …ou nem se vai agir!!! Para mim é alarmante que só se pense nestas pessoas quando é para lhe dar o pão para a boca e não para os fazerem sentir bem. Sinto-me num país onde as classes mais fragilizadas são esquecidas, numa terra que só se lembra dos mais idosos para fazerem um passeio anual e para pouco mais. Os lares, conforme estão a ser pensados, não funcionam…Dão aos seus utentes uma perspectiva de hospital, onde se junta uma classe mais frágil e logo mais incomoda a uma sociedade do capitalismo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Arq. Nuno Portas em Cabeceiras

No âmbito do Ciclo de Conferência Políticas de Futuro, o Arquitecto Nuno Portas, desloca-se a Cabeceiras de Basto para falar sobre «O Desenvolvimento nos Meios Rurais/Urbanos». Trata-se de uma iniciativa que está agendada para o próximo dia 23 de Janeiro, no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, a partir das 21h30m. Um olhar deste prestigiado arquitecto português, que se desloca a Cabeceiras de Basto para partilhar conhecimentos e reflectir políticas de desenvolvimento nos meios rurais e urbanos. In “Ecos de Basto”.
Tem sido excelente o ciclo de conferências “políticas de futuro” e os nomes dos oradores que lhe estão associados, prova disso é a vinda desta vez do pai do urbanismo em Portugal, às Terras de Basto. Pelo que tenho ouvido da boca deste homem nas muitas conferências que já assisti recomendo veemente a presença nesta conferencia, para que me façam companhia.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O fundo para as nossas "PAISAGENS MILENARES"

Região mais deprimida de Portugal ( e da Europa) em termos sociais e económicos, Baixo Tâmega apresenta candidatura com investimento de mais de 135 milhões de euros. (Publico)
In" expresso"
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É uma boa iniciativa, que no meu entender só peca por tardia, melhorar as coisas com base nos recursos endógenos é solução num mundo globalizado, mas é preciso inovar e apostar seriamente na forma como o temos de fazer.
Porque não apostar na produção de conhecimento próprio e pensar em aplicar uns destes milhões em pólos de ensino superior?
- não deixa de ser curioso que não existe nenhuma escola superior nesta mancha deprimida que agora parece querer inverter a situação, será que o problema não reside aí? Assim,conseguíamos fazer notar que a nossa região é apostada em conhecimento, produz conhecimento e investiga formas de apregoar as nossas valências ao mundo. Temos que encurtar e aproximar as cadeias de produção, pois os acontecimentos e a mudança dos factos acontece hoje a uma velocidade vertiginosa… para isso os pensadores, e donos do conhecimento têm que estar mergulhados e envolvidos pelas especificidades e necessidades vigentes no terreno.
Acho tambem importante que deixemos de atribuir estes fundos de forma primária a privados, sem que estes apostem e entrem numa estratégia global,se assim não for estaremos a cometer o mesmo erro do passado. Acho que está na hora de fazer investimentos em incubadoras de empresas, centros tecnológicos, centros de investigação, e instituições de ensino superior. Vamos deixar de dar o peixe para começar a ensinar a pescar.
É importante neste capítulo das paisagens milenares, começar a tratar de forma decente a nossa paisagem e ambiente, deixando-me cada vez mais relutante, agora, à questão das barragens( aprovada sem debate pela maioria destas entidades) que me parecem ir contra a estratégia agora apresentada, ou pelo menos pode afectar de forma gravosa a maioria das paisagens milenares, fazendo-me perguntar que rumo e estratégia temos, quando um dia navegamos num sentido, e no outro no sentido completamente inverso.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cabeceiras amanha...cidade em 2020

O segundo painel foi composto por gente mais jovem, da qual se espera que contribuam decididamente para o futuro de Cabeceiras.
O rumo traçado para cabeceiras é o seu crescimento a nível da escala urbana, tentando-se alcançar o estatuto de cidade em 2020, e para isso pretende-se consolidar e dinamizar todo o núcleo urbano, contando a actual Vila com o contributo da actual Urbanização da Quinta do Mosteiro, para atrair para ela os cerca de 3000 habitantes para que consigam a escala de Cidade, apostando também no desenho do espaço publico para conseguir um lugar digno de uma boa cidade. Foi ambicionado para o futuro de Cabeceiras ainda uma maior participação dos cidadãos nesta causa que agora apresentam, e que eu acho ser determinante envolver todos os actores dinamizadores e produtores nesta causa para o sucesso da mesma.
Acho louvável aparecer na nossa região a apresentação de um plano a médio prazo mas, ao mesmo tempo lanço uma questão para reflexão de todos os leitores, será que é preciso anunciar o estatuto de cidade para conseguirmos o crescimento sustentado de Cabeceiras de Basto?
Hoje já não se constroem cidades mas sim o melhor das cidades, o mesmo é aplicado às vilas. Acho muito razoável, o facto de se ter fixado um rumo, pois quando se navega sem destino nenhum vento é favorável, mas não seria mais certo determinar um estatuto para cabeceiras, uma marca, como vila ou mesmo cidade do conhecimento, que me parece ser uma aposta cada vez mais de futuro, que propriamente só cidade, porque cidade por cidade não se conseguirá, era mais objectivo enumerar um nome ou a especificidade que pretendem para a cidade, ouviu-se por parte do presidente da câmara uma vontade em não perder o estatuto rural de Cabeceiras, criando-se então uma “rurbanidade”,um hibrido que pode levar á confusão das ambições que se pretendem. Cidade rural é diferente de cidade com tradição , e acho que é esta tradição que se pretende para defesa de toda a identidade e cultura desta vila, não temos que consagrar o rural, pois este aspecto seria lançado e sempre presente na periferia. Esta questão de cabeceiras “cidade em 2020” é uma questão á qual dedicarei mais tarde noutros posts.
Outras das apostas, apresentadas para o futuro de cabeceiras, é a valorização dos recursos endógenos, um crescimento apartir de dentro, vendendo ao exterior o que melhor se tem e produz nesta terra. Tendo-se feito referencias à bio-energia e ao aproveitamento da floresta como um recurso com grande potencial a explorar, e depois de ser questionado todo o painel sobre a não referencia á barragem como elemento presente para a estratégia do concelho, foi apontada como uma mais valia, pelo elemento água, ficando prometido também um debate sobre a questão da barragem para o próximo mês.
É importante, estas apostas supra citadas, apostar mais no sector criativo, criar equipamentos como incubadoras de empresas e centros tecnológicos que dinamizem estes recursos que cada vez se encontram menos valorizados e dinâmicos nas nossas terras, que é preciso revitalizar para ganhar competitividade num mundo global. De ver também um post anterior.
A referencia á população sénior foi muito apontada, pelo destaque em numero que a mesma tem vindo a ganhar, referindo-se que se deve apostar cada vez mais na parte do apoio a este faixa etária social.
Nesta parte eu remeto por inteiro a um post anteriormente publicado que vai de encontro a este tema.
O debate de ontem foi bastante rico em termo de apostas, sendo pena a enorme consonância de ideias apresentada, e um papel impróprio que os comentadores acabaram por ter, pois pareciam mais oradores e não comentadores daquilo que foi apontado pelos oradores. Espero mais iniciativas desta índole.

Cabeceiras ontem...

Ontem realizou-se em Cabeceiras uma conferencia debate, em que se fez o rescaldo de 15 anos de mandato do agora presidente Eng. Joaquim Barreto. Cabeceiras de Basto, ontem, hoje e amanha! Na primeira parte do debate explanou-se muito sobre o que mudou em cabeceiras com a tomada de posse em 1993 do actual presidente, concluindo-se que a democracia melhorou muito em Cabeceiras, ganhando a Câmara com organismo Publico maior rigor e credibilidade por parte de todos. Comemorações como o 25 de Abril, segundo o painel de oradores eram até então quase que proibidas.
Outras das questões que todos mostraram como factor de mudança foi a troca do saibro pelo asfalto, dando melhor acessibilidades às muitas aldeias e freguesias dispersas por todo o concelho, marcando-se também o bom relacionamento com as juntas de freguesia como razão para o sucesso de toda a obra feita em cabeceiras. Desde estradas passando pelos equipamentos e acção social. Cabeceiras de facto foi ganhando nas terras de Basto maior notoriedade que os seus concelhos vizinhos, e se por um lado tem tido maior crescimento em termos de escala urbana, não se tem conseguido desenvencilhar de muitos outros problemas que afectam e afectaram as Terras de Basto como a fuga de muitos filhos da terra, e de muito desemprego e a inoperância de uma parcela medonha da população activa. Os autarcas reclamam hoje que com a mudança de 93 a câmara tornou-se do povo e não apenas de algumas elites e caciques, aceitando hoje ideias vindas de fora, reclamando o estatuto de bons ouvintes. Com as bases e todo o trabalho lançado nos últimos 15 anos os edis reclamam um estatuto de boa mudança e que Cabeceiras deixou de ser uma terra desconhecida para passar a uma terra com projecção no exterior e em que dá gosto viver.
Terá Cabeceiras construído a base sólida que possibilite a ambição de um futuro auspicioso?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Um 2009 cheio de coisas boas

Desejo a todos os visitantes , leitores e amigos um novo ano cheio de coisas boas, bons pensamentos e ideias que os façam sentir realizados e felizes , para assim virmos a transformar estas Terras de Basto num recanto de felicidade, de ideias e pensamentos.
Um excelente 2009 para todos, com saúde, amor e FELICIDADE.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Nenhuma terra é bonita, quando nela se vive mal

Perdido numa procura do reino maravilhoso cantado por Miguel Torga, fui dar comigo em Pardelhas uma terra lindíssima, diferente de todas as outras mas idêntica a muitas aldeias das Terras de Basto, uma aldeia que se parece fundir-se na paisagem, as casas ao longe parecem rochas amontoadas que só se deixam adivinhar pelo fumo que expeliam.
Perdi-me a observar a excelência da arquitectura vernácula da aldeia, que agora se faz pontuar por elementos dissonantes, que mostra o poder que as pessoas já têm de ir buscar para as novas construções materiais de bem longe, e que não se fundem. Admirava o xisto, a escala e a mestria da construção, admirava as ruas negras, admirava até a beleza de algumas ruínas, que apesar de ruínas não deixavam de ser belas, sentia-me uma personagem envolvida num cenário de outra época, em que a musica de fundo era a dos chocalhos dos rebanhos que se recolhiam por aquela hora. Falei com as pessoas ,admiro a sua hospitalidade e simpatia, admiro os rostos marcados pelo tempo e talhados pela vida, admirava tudo porque tudo me parecia belo, e uma das pessoas ao notar o meu fascínio me disse: , “não goste disto aqui, isto é uma miséria tão grande…oh meu deus aqui não há nada”, com um rosto amargurado de onde a felicidade parece ter fugido. Inquietou-me e ainda hoje me inquieta, e eu tentando corrigir e elucidar a pessoa para a beleza daquela terra disse: "isto aqui é lindissimo", recebendo como resposta final, "oh meu senhor nenhuma terra é bonita, quando nela se vive mal" E aquelas ruas deixaram de ser lindas para passar a passear a solidão, o xisto das casas tornou-se negro demais ,frio e húmido, e passava também a esconder a agonia. Não consigo dizer que se vive bem na minha terra quando noto a situação de terras como estas. Não consigo perceber que não tenha havido astúcia para transformar a excelência desta terra, a sua beleza e genuinidade, como forma para atrair e explorar nestes locais focos de turismo . Já vimos que o negro(asfalto) não resolve todos os problemas, temos que apostar em ideias, para polir este diamante que está em bruto, são precisas ideias para emprenhar aquela terra de esperança e caçar os sorrisos da sua poulação, é preciso que se faça algo por esta gente cada vez mais isolada num mundo globalizado, em que é preciso envolver tudo e todos, e quem estiver isolado não resiste com êxito. É preciso mostrar estes diamantes em bruto que temos na nossa região, é preciso mostrar bons exemplos e envolver actores dinamizadores nesta missão, porque é lucrativa, hoje cada vez mais é valorizada uma qualidade de vida que se tem nestes espaços se neles houver movimento, que espante a solidão existente, e estruturas que tornem aquelas aldeias mais autónomas. A resposta para mim está no lugar, que não deixa de possuir as valências que outrora fixaram lá estas gentes, e valências que se forem exploradas podem atrair para este tipo de aldeias uma nova dinâmica e uma riqueza muito aprazível para quem lá vive. Se utilizarmos os incentivos e estímulos dados pela União Europeia para planos estratégicos a nível regional, poderemos colher bons frutos, haja é vontade politica e capacidade para plantar as sementes e cuidar das arvores que temos.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A cardiopneumologia na sociedade.

Perante o desafio proposto num post anterior, recebemos a resposta de uma futura Cardiopneumologista, que apesar de não ser Bastense se tem dedicado assiduamente a expressar o seu pensamento neste espaço, e que se deixou envolver uma vez mais num desfio para Pensar o País no qual somos parte integrante e afecta, um exemplo bom, que veio de fora, ao qual agradeço desde já a amabilidade e o tempo que nos tem dedicado. A cardiopneumologia na sociedade.

A cardiopneumologia é uma área especifica da saúde que abrange várias áreas sendo as principais a cardiologia, pneumologia e cirurgia cárdiotorácica, e que tem como principal objectivo a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças cárdio-respiratórias, sendo o nosso principal objectivo a prevenção, através da realização de rastreios e organização jornadas temáticas visando-se com isto a compreensão tanto desta área da saúde como das doenças que a mesma combate. Notamos que por força do elevado sedentarismo e obesidade que se nota na nossa sociedade e com os riscos de saúde que daí advêm, esta área da saúde se afirma cada vez mais o estatuto de imprescindível, quando temos que lidar com problemas que só são eficazes por antecipação aos mesmos, devendo-se insistir no rastreio constante como forma de garantir a saúde desta sociedade. Parecendo-nos que o nosso país ainda peque por ausência de investimento nesta área quando comparado com países, como Alemanha e Reino Unido que estão apostados em garantir um bom sistema de saúde, notando-se ausências significativas de cardiopneumologistas nos hospitais e clínicas, criando-se listas de espera, aumentando-se a probabilidade de pessoas entrar em enfarte, e com falhas cardíacas ou crises asmáticas por falta de técnicos para a imediata realização de exames, que os informem das patologias que os doentes transportam e inconscientemente muitas vezes continuam a alimentar, como os casos de colesterol e hipertensão. E eu questiono-me será que é necessário chegarmos a este ponto, quando na verdade estão pessoas licenciadas para tal no desemprego? Até que ponto é que estamos evoluídos na saúde, se chegamos a um ponto em que um médico de clínica geral não me sabe dizer o que é uma espirometria, exame este, fundamental para o diagnóstico de doenças respiratórias, lançando-se de seguida em experiencias e tentativas com antibiótico e outro tipo de medicamentos, que julgam resolver o problema,(quais cobaias) já que a realização de exames resolveria eficazmente, não sendo requisitada por “se tornar caro e aborrecido, já que agora as consultas se baseiam numa maquina electricamente capaz de resolver todos os nosso problemas, (como auscultação, palpação e percussão), maquina essa que é o computador. Sinceramente depois questionam-se o porquê de o estrangeiro ser mais requisitado, a resposta é fácil e está a vista… Para a nossa saúde evolua, e para que os seus profissionais sejam actores dinamizadores, de uma boa sociedade, tem que lhe ser atribuída uma importância que deve estar desligada em parte do factor económico, pois nem tudo que o estado investe é rentável, mas investe por saber-mos que é essencial, tendo-se que investir na saúde, nos seus profissionais e nos equipamentos precisos. Como dizia Helena Garrido “Só haverá milagres financeiros na saúde quando Portugal se tiver transformado num país do que há de pior no Terceiro mundo”. Portugal não é de todo um pais que se possa orgulhar dos métodos que aplica a nivel da saúde, mas também não dos piores, e o que interessa é continuar esta batalha, de criar novos hospitais, centros de saúde, reorganizar o sistema de saúde de forma a dar mais oportunidade a este tipo de especialidade para que o cardiopneumologista possa exercer a sua função e aplicar aquilo para o qual fomos formados e evitando que outros profissionais, com a sua “Chico-espertice” inventem e remendem soluções de improviso, atribuía-mos assim maior qualidade ao sistema de saúde, criando-se maior interacção entre a Cardiopneumologia e as outras especialidades, que quando desmpenhadas as suas funções por quem tem formação para tal, poderiam transformar-se numa óptima alavanca para um bom sistema de saúde, e consequentemente para uma sociedade saudável. Dever este que nos cabe a todos nós, profissionais de saúde.

Ana Sofia Gonçalves

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Todos por todos e tudo por todos também…

As pequenas e médias cidades serão locais privilegiados, no futuro, pela sua qualidade mas apenas acessíveis aos mais abastados. A conclusão é de uma conferência internacional de dois dias que decorreu na passada semana na Universidade do Algarve. De onde se obtiveram também as seguintes conclusões: "as mais modernas tendências das economias regionais apontam para uma maior aglomeração" das zonas urbanas. Por isso segundo Teresa Noronha os próximos cinquenta anos verão nascer grandes aglomerados urbanos que procurarão economias de escala combinadas com uma evolução tecnológica muito motivada pelo esgotamento dos recursos naturais. Em resultado desta tendência, as pequenas e médias cidades tenderão a transformar-se em territórios de fuga para os que privilegiam a qualidade de vida o que, naturalmente, terá um preço elevado. Segundo Teresa Noronha as pequenas cidades "manter-se-ão por questões de romantismo" e serão acessíveis aos que as possam pagar. Este paradigma não quererá no nosso entender significar que sejam apenas para estas pessoas, mas que serão estas os actores motores da cidade, que no entanto estimulam o aparecimento de outros. Aliás, no que toca à realidade portuguesa, Teresa Noronha considerou que o "grande bloqueio ao desenvolvimento do País continua essencialmente na área da governação institucional". Segundo a investigadora, continuamos a ter "políticos que não estão preparados cientificamente" o que se reflecte na qualidade das decisões estratégicas que têm sido tomadas para o País. Por essa razão, a investigadora reforça que toda a sociedade tem de se envolver e responsabilizar pelo modelo de desenvolvimento pretendido para Portugal, salientando ainda que é fulcral escolher com muito cuidado os recursos e a forma como estes serão aplicados nessa escolha. Todas estas opiniões tiveram o aval positivo dos grandes estrategas e especialistas a nível europeu.
Caros Leitores onde estão nas Terras de Basto este envolvimento da população, nas matérias de desenvolvimento? Quero dar um Bem-haja ao aparecimento do MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA , e que a sua força se estenda alem da questão das barragens, por isso faço um apelo aos leitores para também se envolverem neste tipo de iniciativa ou criar novas alternativas concertadas para propor e participar em debates que visem o desenvolvimento desta terra.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Requalificar a memória

Este post surge em parte na sequência do raciocínio publicado anteriormente pelo Carlos Leite, que falava sobre a “Arquitectura de e para basto”, para falar agora sobre o património. Pensar basto, deve ser também pensar no que constitui basto, pensar no significado e nas características de toda uma região. Olhar para trás, será útil para projectar um futuro mais inovador, com ideias mais sólidas, baseado em conceitos de identidade, que penso ser sempre um factor chave no desenvolvimento do futuro. Surge assim referir a importância da memória, saber quem fomos, para perceber quem somos, a fim de projectar o futuro baseado num alicerce de identidade, que considero ser um argumento fundamental para o desenvolvimento de qualquer região. A identidade, é o conjunto de características que nos identifica e portanto que nos distingue dos outros, e a aposta nesses valores por parte da nossa região será sempre a aposta na diferença, e portanto uma aposta segura, e com potencial. É assim fundamental pensar, quais as características identitárias que as Terras de Basto possuem e que são potenciais factores de desenvolvimento…
De todos as grandes potencialidades eu destaco uma, o património arquitectónico. E é normal para quem percorre as Terras de Basto deparar com a elevada quantidade e qualidade dos solares barrocos maioritariamente do Sec. XVII e XVIII, que embelezam as encostas destas terras. Mas por outro lado, também se fica surpreendido com o elevado estado de degradação com que a grande maioria destes imóveis se encontram. Há alguns anos na sequência da realização de um trabalho académico, elaboramos um levantamento de todos os solares de Celorico de Basto, as conclusões foram interessantes, mas ao mesmo tempo preocupantes. Acima de tudo percebemos a importância que este património desempenha para a região, são os símbolos que marcaram uma época, um pensamento, um modo de vida, actualmente são uma memória viva, que felizmente chegou aos nossos dias. A importância dos solares, associados às suas quintas, e em particular os solares minhotos, tem características muito particulares que dizem muito das vivências das pessoas que os habitaram, a escala modesta dos edifícios, compensada com uma projecção e domínio sobre a envolvente, e com as ornamentações, que mesmo modestas, dão um toque de nobreza ao edifício. E ainda os belíssimos jardins talhados que muitas vezes ainda envolvem os edifícios. São características particulares desta região do país, em que a importância deste património vale pelo conjunto, pois estamos a falar só da região do país com maior número de casas brasonadas a nível nacional. Contudo, os elevados índices de abandono e degradação destes imóveis, merecem um alerta urgente, face à necessidade de criar uma estratégia pertinente não só de recuperação, mas sobretudo de vivenciar a utilidade destes imóveis, pois torna-se fundamental criar novas alternativas ao seu uso.
A importância destes solares pareceu passar despercebida durante muito tempo por parte das entidades políticas, felizmente há alguns casos de sucesso, e de boas intervenções. Celorico parece um concelho sensibilizado e empenhado em recuperar não só esse património, mas também em dar-lhe uma nova vida, como se pode perceber com as adaptações da Quinta de S. Silvestre a Biblioteca Municipal, a Casa do Prado a Câmara Municipal,… e mais recentemente a aposta na adaptação da Casa da Boavista a hotel. Existindo depois outros bons exemplos que mantiveram a sua função residencial, e de turismo de habitação…. São soluções pertinentes, com visão, mas ainda há muitos solares espalhados pela região à espera da sua oportunidade. Este património é demasiado importante, para ficar a mercê das suas memórias, não só pelo que vale, mas sobretudo pelo que representa não só a nível regional mas também a nível nacional. Vale pelo seu conjunto, pela abundância, e pela proximidade entre eles, e uma boa estratégia de valorização deste conjunto, pode tornar-se numa imagem de marca das terras de basto.
Urge assim criar uma estratégia de recuperação de todos esses imóveis, numa altura em que parte deles perderam a sua função original, é urgente encontrar alternativas ao seu uso, e função. Essa é uma estratégia de adaptação a novas necessidades de um novo tempo, e de uma nova sociedade. Como dizia o mestre Fernando Távora, ”Património é só um: passado, presente e futuro”.
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Arquitectura de e para Basto

A arquitectura é conhecida pela sua multidisciplinaridade, o que a faz abranger quase todas as áreas. É mais que a arte de projectar, é mais que os desenhos lindos e as casas que concebe, é a cidade é o território, é os sinais que são testemunho da superioridade da razão que organiza o caos das formas da Natureza, é musica no espaço, como se a mesma tivesse sido congelada, é a medicina das cidades, que cura com cirurgias urbanas, ou grandes terapias de choque que obrigam á metamorfose da sua arte e imagem. Em Basto quando falo que sou licenciado em Arquitectura, muito me agride, a pergunta usual consequente.- E o que é isso? E cai ali a mãe de todas as Artes, numa ignorância que fractura momentaneamente o orgulho que nela tenho. Que continua a ser enxovalhado por comparações com engenheiros ou desenhadores. Na arquitectura, alem lidarmos com politicas urbanas, estratégia de ordenamento, crescimento e requalificação do território, criamos também peças que embelezam e que marcam as vidas das pessoas, somos artistas, que trabalham com quatro dimensões, artistas que conseguem mudar a imagem das cidades, a quem hoje cada vez mais, as cidades e regiões que se pretendem afirmar no mundo, recorrem. As obras marcantes das vilas e cidades devem ter ligadas a elas, uma imagem e uma identidade que facilmente seja adquirida pelos seus habitantes, ou por apreciadores de arte, que os fazem ter orgulho de as ter como deles. Vejam o impacto que a obra da Igreja do Marco de Canavezes , da autoria de Siza Vieira tem sobre o Turismo de Arte, a obra chega a ser conhecida alem fronteiras mais que a própria terra. O Mesmo chega a acontecer com o Museu projectado por Frank O. Gehry em Bilbao, Espanha. A arquitectura com o seu pressagio de rainha das artes, tem a capacidade de alterar positivamente a imagem de uma cidade mas também o contrario, tendo por isso aliada à mesma uma responsabilidade enorme, pois uma má obra arquitectónica tem uma influencia maior e mais duradoura na vida das pessoas,enquanto um quadro mal concebido se vira contra a parede, um livro se mete numa gaveta, uma escultura se deixa no atelier, a obra arquitectónica mal concebida continua na cidade, á merce das pessoas. Frank Loyd Wright disse um dia, “ a diferença entre um medico e um arquitecto é que o médico enterra os seus erros enquanto os arquitectos os expõem.” Basto tem uma identidade arquitectónica muito marcada pela arquitectura barroca, rococó, dos solares, que na minha opinião continuam a ser a imagem Arquitectónica de marca desta terra , tem tido uma influencia enorme na arquitectura popular, que tenta imitar ainda hoje a imagem daqueles edifícios, mas que lhe retiram os pensamentos a época em que foram concebidos e as essências para a sua beleza. Um dos grandes Males da arquitectura que hoje se faz por Basto, é que a mesma não é feita por arquitectos, deixando de ser arquitectura para passar a ser construção na maioria das vezes. Humildemente acho que: Celorico tem dado um excelente exemplo ao apostar em arquitectura de qualidade, desde a Câmara Municipal até á Biblioteca e Arquivo Municipal, estes conjuntos levaram a que a sua envolvente haja agora uma tentativa de aproximação das construções habitacionais às linguagens da nossa época. Em Cabeceiras noto a excelência do Mosteiro, mas não vejo nenhuma obra arquitectónica que se tem feito, que dignifique o termo Arquitectura, talvez exceptuando o caso da Capela mortuária em Vila Nune, que acho um bom exemplo a seguir. Mondim impera com a sua excepcional Zona Verde, de onde destaco o auditório ao ar livre, não me revendo em outro tipo de obra. Ribeira de Pena não tenho grande coisa a apontar alem da sua biblioteca, mas que também se perde pelo razoável. Uma das questões que vejo que tem passado ao lado das autarquias, é o desenho do espaço publico e que me parece essencial como factor agregador dos espaços, e essencial para criar vida nas nossas vilas. A arquitectura deve ter como factor central o ser humano, e assim deve criar espaços para que o mesmo se sinta bem nos ambientes que cria, nas atmosferas que concebe. A arquitectura, é arte que deve ter inerente a ela linguagens, sensibilidade, é uma ciência que se interroga sobre o seu papel, procura factos , que no meu entender só deveriam ser entregues a arquitectos, da mesma forma que a medicina é entregue aos médicos a advocacia aos advogados. Deste modo teremos uma disputa e uma competitividade da arquitectura, só por arquitectos, estando todos no mesmo registo e regido pelas mesmas leis. O mau ordenamento do nosso território deve-se, principalmente ao descrédito e à secundarização do papel que a arquitectura foi tendo, e que parece continuar a ter.